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Patchouli

June 11, 2017

Nasci musicalmente no final dos anos oitenta, na cidade de Rio Branco, do Estado do Acre, ao apresentar a música, de minha autoria, "Patchouli" no Festival Acreano de Música Popular (FAMP 88). A letra é um lindo poema de Edson Alexandre. Conheci o Edson durante o curso de formação da Embratel. Passamos juntos no concurso da estatal (privatizada, infelizmente, por FHC). No meio daquelas aulas de eletrônica, os poemas do Edson passavam de mãos em mãos. A beleza daqueles textos me causavam uma grande admiração por aquele cara de olhinho puxado e fala pouca. O que fazia ele ali, entre circuitos de diodos e transistores e aulas de multiplexação de ondas de áudio e vídeo. Percebi logo que aquela poesia subvertia o status quo epistêmico dos engenheiros de telecomunicações, que elaboraram o curso no Rio de Janeiro para enfiar na cabeça dos nortistas, que, com exceção do Pará, não tinham uma escola técnica. Os versos do Edson eram, afinal, uma lufada de ar fresco no ritmo puxadíssimo que era imprimido às aulas pelos profs. Um desses poemas, ele havia escrito para uma musa (segredo a sete chaves!) de Rio Branco. Se chamava 'Patchouli':

 

"Um cetim dissipa na pele arrepios de calor. Vertigens, uma fome se planta na boca qual sede de fruta no pé. Um olho planta no céu suas âncoras,o outro virado pra estrela navega. Passos tontos sobre o capim escorregando lento sobre o mineral e o vegetal. Lembranças, o começo prevendo o fim de um sonho esquecido. Na ocupação de viver, um beijo na carne viva nua, crua, macia. Passos tontos sobre o capim, escorregando lento sobre o mineral e o vegetal. Caroço travoso, açaí, um jeito sereno, morena na rede, um vento de patchouli".

 

Bom...a canção não foi finalista do festival e até hoje não foi gravada. É uma linda música, interpretada por uma garota que me procurou durante as eliminatórias. Não lembro o nome dela. Cantava muito bem. Acho que nem o prêmio revelação ela levou. Lembro-me que tinha uma gana de querer se lançar como cantora, com o auxílio de um senhor bem distinto, que a orientava. Onde estará ela? Não sei. Espero que alguém tenha o registro dos bastidores daquele Festival Acreano de Música Popular (Famp 88). Onde as fotos, áudio e vídeo dos 'perdedores'?. Só sei que a competição cegava os organizadores e concorrentes. Sempre achei incongruente a ideia de competição em arte, com um júri instalado, com seus gostos estabelecidos, prontos para classificar, comparar, medir e julgar criações (tão diversas) do espírito. Até hoje, esse formato de festival é o que impera no Acre. Essa é uma forma sutil de a política colonizar a arte por aqui e exigir dos artistas o alinhamento a bandeiras de partidos e movimentos, de onde provêm os pretensos juízes da arte. Festival assim é para vencedores, como a História. A História é uma Grande Festa para os que a põem em jogo e distribuem as cartas.

 

 

 

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