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Sul das coisas: onde sofrer seja uma coisa mais suave.

March 18, 2019

 

 

Foi em 2002, no Teatro Plácido de Castro, em Rio Branco. Estava morando em Paris, matando a saudade da aldeia. Um dia, encontrei a Kelen e ela me desafiou: "Sergio, por que você não faz um trabalho com os meninos do rock, o Anzol, o CA e o Charles?". Até então, meu formato de espetáculo era acústico e percussivo, bem bicho-grilo mesmo. O desafio de Kelen veio no momento em que eu descobria a beleza do rock progressivo de Pink Floyd. Topei a parada e convidei os meninos pra irem lá em casa, na Seis. Lembro bem desse dia...passei as canções pra eles e começamos a ensaiar num pequeno estúdio do Álamo. Meu Deus...a cada porrada da bateria do Anzol eu saía zonzo....o som altíssimo...os rifs de guitarra do Charles e as pancadas do baixo do CA acabaram de ferrar meu passado acústico. Aquele som pesado se entranhou no meu jeito de cantar a tal ponto que tive que buscar uns drives na voz para não ficar apagado na banda...é como se baixasse um espírito ali na hora me dando o contorno e o estilo que os deuses do rock exigiam. Foi uma experiência muito intensa aqueles dias de ensaio, me levando literalmente para o sul das coisas, onde sofrer era uma coisa mais suave e viver não custava tanto ao pensamento. A inspiração do show veio de Fernando Pessoa, num poema que dizia exatamente isso. Ao mesmo tempo, o sul das coisas vinha na minha cabeça como o novo nome da utopia. A esquerda já estava entregue às suas alianças espúrias e já começava os seus primeiros passos da dança macabra das velhas oligarquias. Providenciei um telão, o coloquei atrás do palco e pronto, o cenário seria citações de filmes, de acordo com o tema das canções. Tonivan foi fundamental para a edição das imagens. Convidei seis meninas para o coro, Lígia, Suellem, Tatiane, Luciana, Elaine e Rosana. Convidei Sandoval para o sax e o Grupo Vivarte, dirigido por Maria Rita, para interpretar os poemas de Castro Alves. O elenco do grupo era um primor: Sérgio Santos, Daniela Rodrigues e Shirlene Rocha. Foi um showzaço...eletrônico, progressivo, longo, cinematográfico, irreverente. Abri o espetáculo com uma farpada: "Contra a direita que virou esquerda e a esquerda que virou direita, o sul das coisas", e aí vieram os primeiro acordes. Eu estava criticando a mera troca de posições entre grupos políticos e a falência desses marcadores ideológicos. O PT aliado da direita e a direita aliada da esquerda...aliança essa que se rompeu recentemente com um golpe de família, se utilizando de boas razões jurídicas, que, até então nunca prevaleciam, por causa das alianças promovidas pela direção paulista, replicadas no Acre pelos seus militantes obedientes e caçadores de cargos. Pois bem, depois daquela frase de abertura, alguns 'companheiros' saíram do teatro em protesto. O partido é implacável e vingativo em suas perseguições. Até hoje sabotam meu espetáculos e se negam a dizer meu nome, como um tabu... Mas essas coisas do norte não afetaram a estética do sul das coisas, até a incrementaram com uma boa dose de expressão. Com todos os problemas técnicos ocorridos na sonorização (eterno problema em Rio Branco), o espetáculo foi intenso. Eu nunca tinha cantado rock e adorei a simbiose que ocorreu no palco. Os solos de Charles vararam a noite. O sax de Sandoval me fazia flutuar. O ritmo de Anzol me deixava sempre balançando no abismo do compasso. O baixo do CA contava uma história sutil, por trás da harmonia. O coro, bastante prejudicado pela péssima sonorização dos microfones, me dava uma certa segurança de anjos assustados, mas comprometidos com a viagem que fazíamos. Todo espetáculo é um milagre. A gente o faz no meio de muitas pressões e impossibilidades.  A política jamais dirá o tom da minha arte. Cumpri o desafio, Kelen! O engraçado é que o rock continua como um componente de minhas canções, enquanto a antiga roqueira, Kelen Mendes, está fazendo o que eu fazia antes do Sul das Coisas, cantando as coisas da aldeia. Tou até com vontade de refazer o Mariri, mas com sampler, guitarra e percussão...  

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